O comboio - Livro Comentado

O Comboio tem como público alvo a criança dos 7 aos 9 anos de idade. Foi publicado em 2012 pela editora OQO em colaboração com a escritora Italiana Silvia Santirosi e ilustrações de Chiara Carrer. A tradução foi realizada por Elisabete Ramos.

Editora OQO - Chiara Carrer
A Autora
Nasceu em Roma, estando actualmente a viver em França, onde tem como ocupação, o jornalismo, literatura e freelancer de ilustração. 

A escrita
A escrita é fluída e simples de se entender e facilmente percebida pelas crianças. O assunto não podia ser mais delicado, trata-se da morta da mãe de uma menina. A história é contada pela filha que sente a perda da mãe e pelo pai que tenta de maneiras simples entender os sentimentos da filha e com isso, tentar mostrar-lhe com objectividade a explicação da morte. A história é sobre a pequena menina que sonha com uma estação e um comboio que acaba todas as noites por perder. Significando a estação um ponto de partida sem um destino concreto juntamente com a explicação de que o comboio é a perda e a frustração causada pela ausência da mãe, mostra de uma maneira simples que a criança está confusa e perdida. O pai para tentar apaziguar a frustração da menina não conseguir entrar no comboio, conta a história de um cego, na tentativa de conseguir explicar à filha a morte da mãe. 

O problema na história está mais no conto que o pai conta à filha ser desajustado com o tema em questão por todo o livro: “A Morte”. 

No meu ponto de vista, o livro apesar de ser rico em imagens, é fraco no texto, pois a tentativa de explicar a morte de um ente querido a uma criança não fez bem o seu efeito. Fazendo a morte parte da vida, não vi isso contado de maneira simples no livro, nem que a dor que a criança possa sentir é normal e ajuda-la a entender a perda e arranjar algo com que a criança se possa identificar, poderá ou não, fazer a diferença.

Legenda:
Imagem - http://www.oqo.es/editora/pt-pt/content/o-comboio

Links adicionais:
https://www.behance.net/silviasantirosi
http://santirosi.blogspot.fr/

Imagens Com História I

Bitterness by NataliaDrepina
Margarida ajoelhou-se diante de um pequeno grupo de flores e, delicadamente colheu uma. Quando se tentou levantar sentiu não ter forças, pois ver o rosto pálido do Avô deixou-a abatida e preenchida por um sentimento estranho que lhe causava dores de barriga e um desconforto ao respirar. O rosto rapidamente ficou vermelho, os olhos doeram-lhe das lágrimas gélidas que lhe queimavam o rosto, mesmo que os fechasse elas teimavam em sair sem sinal de pararem. O pequeno pingo que lhe quase ia saindo do nariz foi fungado com profunda força evitando assim que algo mais lhe saísse do corpo a não serem as lágrimas que já tanta dor lhe causavam.

Augusta, amiga de infância de Margarida saíra de perto dos pais para acudir a amiga. A mão com que Margarida segurava a flor foi violentamente arremessada contra o chão, desferindo um murro na terra. A mesma terra que naquele momento queria engolir o seu Avô, o homem que tanto sorriso lhe dera. Augusta alcançou-lhe a mão ferida e raivosa com ternura, tentando de alguma maneira mostrar-lhe que não iria sofrer sozinha, ela estaria ali até aquilo acabar e se fosse preciso ficaria mais tempo com ela.

Augusta ajudou Margarida a recuperar o seu pé e caminharam as duas em direcção ao caixão, onde com tanta ternura e um nó na garganta lhe deixou, Margarida, um último sinal de amor e carinho pelo homem divertido, carinhoso e amigo que fora[1].

Foi aquele dia o primeiro dos que estariam para vir no resto da sua vida. Margarida tinha então sete anos e o Avô fora a primeira pessoa a morrer-lhe na família.

Legendas
[1] : Fora
Significado = http://www.priberam.pt/dlpo/fora
Conjugação = http://www.priberam.pt/dlpo/Conjugar/ser (Pretérito Mais-Que-Perfeito)